Cyberbullying: A origem da intimidação sistemática nas redes | Juliana Marinho

Juliana Marinho, Advogada e  Pós Graduanda em Direito Eletrônico.

Na década de 90 a rede mundial de computadores começou a ganhar espaço no território brasileiro, assim a internet foi consolidada no país atraindo diversos usuários, surgindo o ciberespaço que desde então é um dos maiores meios de comunicação.

Esse expressivo avanço tecnológico no espaço cibernético trouxe consigo o surgimento de atos ilícitos que começaram a causar a insegurança nos internautas, pois tais ações não possuíam previsão legal suficiente para classificar o delito virtual. 

O avanço digital proporcionou um ambiente fértil para o surgimento do  cyberbullying, que já tinha seu espaço no plano físico e acabou ganhando com facilidade novos horizontes com a sua difusão na internet pelo mundo.

O  ciberbullying aconteceu de uma maneira muito rápida e intensa nas redes sociais, onde o crime torna-se consumado quando a vítima é lesionada com ofensas que são lançadas através de instrumentos digitais, que depreciem a imagem, incitem a violência, adulterem fotos ou dados pessoais, visando o constrangimento psicológico e social.

O número de vítimas lesionadas pelo cyberbullying cresce espantosamente, onde a cada dia vemos ou sabemos que alguém próximo já foi vítima dessa violência digital, esse ato cresce sem limites devido ao mau uso das redes sociais no país.

Os agressores digitais conhecidos como  bullies, são extremamente maldosos e violentos em suas publicações, sem medo falam, expõem, divulgam, fotos, vídeos e fatos, fatos esses, que muitas vezes são até mentiras para prejudicar a honra do agredido.

Os  bullies violam sem piedade alguma a vida da vítima, eles procuram se infiltrar aleatoriamente em grupos e páginas, visando vasculhar todas as redes sociais de forma minuciosa até encontrarem o ponto que aguce a sua maldade.

A intimidação virtual não possui um público alvo ou faixa etária definida, onde qualquer pessoa pode ser vítima desse ato ilícito, que acontece de forma intencional e repetitiva, podendo ser praticada por um indivíduo ou grupo, tendo como objetivo intimidar ou agredir, com o intuito de gerar constrangimento para a vítima. 

Existem casos onde os ataques são cometidos por conhecidos da vítimas, pessoas que estão presentes no seu ciclo afetivo e profissional, como por exemplo, primos, amigos, companheiros ou colegas de trabalho, que por algum motivo tolo, inveja ou por simples vingança decide atacar covardemente a pessoa. 

O surgimento do bullying no ciberespaço gerou inúmeras vítimas que tiveram sua imagem e dignidade violadas, realidade essa que ocasionou a preocupação social por tamanha insegurança pela não existência da tipificação legal capaz de imputar aos sujeitos o fato delituoso. 

Quando o indivíduo descobre que foi vítima desse delito no ambiente virtual, é nesse exato momento que a pessoa entende o impacto ocasionado pelas ofensas proferidas contra a sua honra. 

O impacto desse crime gera efeitos incalculáveis, seja no aspecto psicológico e social da vítima, onde vale ressaltar, que esse cenário repercute diretamente em todos os ambientes que o lesionado tem e exerce os seus direitos e deveres sociais. 

As lesões recebidas no ambiente virtual são extremamente danosas. Os seus efeitos, por exemplo, podem ocasionar uma exclusão de um determinado grupo ou até mesmo uma demissão trabalhista, é difícil mensurar todos os efeitos que o cyberbullying pode gerar. 

Diante dessa situação penosa para todas as pessoas envolvidas, seja a própria vítima, familiares ou amigos que acompanhavam todo esse sofrimento da pessoa querida, decidiram buscar respostas sobre assunto, como soluções para encontrar a melhor forma de repressão contra esses delitos. 

 É preciso reforçar a conscientização da população brasileira que em sua maioria ainda acredita que o bullying, seja apenas “uma brincadeira de mau gosto” e que não deve ser tratada com seriedade.